Justiça mantém suspensão das autorizações de captação de água na bacia do Rio Formoso durante período de estiagem
01/04/2025
(Foto: Reprodução) Decisão da 1ª Vara da Comarca de Cristalândia aponta que houve uma série de fragilidades na gestão hídrica por parte do governo estadual e do Naturatins. Justiça suspende captação de água na bacia do rio Formoso durante estiagem
A Justiça manteve a suspensão por tempo indeterminado das outorgas de uso da água da bacia do Rio Formoso, no sul do estado, durante o período de estiagem. Uma nova decisão publicada pelo judiciário apontou falhas na fiscalização, transparência e efetividade das ações de controle do Estado do Tocantins, do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e do Comitê de Bacias.
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A ação que acompanha a situação hídrica da região começou em 2016, em uma Ação Civil Pública do Ministério Público do Tocantins (MPTO). A nova decisão do juiz Wellington Magalhães, da 1ª Vara da Comarca de Cristalândia, e foi publicada nesta segunda-feira (31). O documento reitera a decisão anterior de setembro de 2024.
No documento, o juiz afirma que houve uma série de fragilidades na gestão hídrica por parte do governo estadual e do Naturatins, entre elas a inércia na modernização da outorga e na fiscalização efetiva, falhas no cumprimento do sistema semafórico de controle hídrico, deficiências técnicas e burocráticas no Naturatins, além de captações de água irregulares e persistentes, mesmo após multas.
O Estado do Tocantins, Naturatins e Comitê de Bacia têm até o dia 30 de abril para apresentar um plano de ação que resguarde a sustentabilidade da Bacia do Rio Formoso durante o processo de implementação das medidas judiciais da sentença estrutural.
Em nota, o Naturatins informou que teve acesso à decisão e que está articulando com a Procuradoria-Geral do Estado e os órgãos responsáveis a elaboração do Plano de Ação exigido pela Justiça. Disse ainda, que aplicou autuações a quem descumpriu os limites de captação em 2024 e que alguns processos administrativos seguem em andamento (veja a íntegra da nota abaixo).
A decisão manteve a multa para os usuários que captaram volumes acima dos limites permitidos, com valor de R$ 0,048 por cada m³ captado de maneira irregular. O pagamento dos valores aos cofres públicos deverá ser comprovado no processo.
O descumprimento da decisão poderá configurar ato de improbidade administrativa e crime de prevaricação, com a imediata comunicação ao Ministério Público Estadual e à Corregedoria do Tribunal de Justiça.
Captações irregulares podem colocar em risco a Bacia do Rio Formoso
Divulgação/MPTO
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A água dos rios da região da bacia é captada para a irrigação de lavouras, principalmente, durante o período de estiagem do estado. Um levantamento feito em 2021 apontou que existiam naquele ano, pelo menos 90 bombas operando até 24h por dia, captando água suficiente para abastecer 70% da população de Palmas.
Conforme os dados apurados pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), foi possível identificar que o rio Fomoso teve maior redução de nível entre os anos de 2022, 2023 e 2024.
Nesta nova decisão o juiz reiterou decisões anteriores estabelecendo:
As multas de R$ 0,048 por m³ captado além do permitido;
Suspendendo por prazo indeterminado todas as outorgas para captação de água na Bacia do Rio Formoso durante o período de estiagem (junho, julho, agosto e setembro);
O Estado do Tocantins, Naturatins e Comitê de Bacia deverão apresentar a até o dia 30 de abril um Plano de Ação para resguardar a sustentabilidade da bacia;
O Naturatins deverá comprovar nos autos (até o dia 30 de abril) quais usuários infratores dos limites outorgados pagaram as multas fixadas pela Justiça.
Se todas as medidas forem cumpridas, e após manifestação do Ministério Público, o juiz poderá rever a medida de suspensão das outorgas durante os meses de junho à setembro.
Produtores cobram ações do poder público
A Associação dos Produtores Rurais do Sudoeste do Tocantins (Aproest) afirmou, em nota, que a decisão é consequência da dificuldade que o poder público estadual vem demonstrando em atender as questões discutidas junto ao Poder Judiciário desde o ano de 2016.
Afirmou que boa parte das medidas propostas, durante audiências públicas, foram adotadas e os produtores rurais têm envidado esforços para cumprir todas as suas obrigações, fazendo investimentos que têm resultando na melhoria da gestão dos recursos hídricos na região.
Também afirmou que o poder público anualmente enfrenta dificuldade em realizar a sistematização dos dados de nível, vazão e consumo, dificultando o controle maior dos volumes informados pelo sistema.
“Embora o Juízo de Cristalândia tenha sido duro em sua manifestação, e a decisão coloque em risco a próxima safra, a situação ainda pode ser revertida, conforme a própria decisão, desde que o Estado do Tocantins, NATURATINS e Comitê de Bacia do Rio Formoso apresentem ao juízo, até 30 de abril, um Plano de Ação que resguarde a sustentabilidade da Bacia do Rio Formoso, enquanto o atendimento de todas as medidas judiciais da sentença estrutural estiver em curso, entre outras recomendações”, diz a nota.
Por fim, a Aproest afirmou que continuará aplicando seus melhores esforços técnicos para que a medida seja revertida e a região abrangida pela Bacia Hidrográfica do Rio Formoso possa continuar se desenvolvendo e ampliando a sua produção, de forma sustentável, trazendo benefícios para todo o Tocantins.
O Naturatins afirmou que em 2025 estruturou uma equipe técnica exclusiva para monitoramento do uso da água, elaborou um plano de revezamento em parceria com o Comitê de Bacias e publicou as diretrizes no dia 10 de março, possibilitando que os produtores façam o planejamento antecipado da entressafra. A revisão das outorgas demonstrou que a maioria dos usuários apresenta estudos sólidos, enquanto apenas uma pequena parcela reincide em infrações.
Também afirmou que em 2025 as ações fiscalizatórias serão ampliadas, com equipes fixas atuando nas regionais da Lagoa da Confusão e de Formoso do Araguaia, garantindo maior controle e preservação dos recursos hídricos.
"É fundamental destacar que a efetividade completa do plano de revezamento depende da disciplina e do compromisso de todos os usuários no cumprimento das regras estabelecidas", diz a nota.
Íntegra das notas do Naturatins
O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) informa que já teve acesso à Decisão Judicial emitida na segunda-feira, 31, que determina a suspensão das outorgas para captação de água da Bacia Hidrográfica do Rio Formoso durante o período de estiagem (junho, julho, agosto e setembro). O órgão ambiental esclarece que está articulando com a Procuradoria-Geral do Estado, a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o Ministério Público Estadual e o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Formoso a elaboração do Plano de Ação exigido pela comarca de Cristalândia.
Quanto às atividades de fiscalização, o Naturatins aplicou autuações a todos os usuários que descumpriram os limites de vazões outorgadas durante o período de estiagem de 2024. Os processos administrativos seguem em julgamento e, em conformidade com a decisão judicial, as multas serão revertidas para investimentos na Bacia.
Para 2025, o Naturatins concluiu a fase de revisão das outorgas e, em conjunto com o Comitê de Bacia, elaborou um plano preliminar de revezamento, publicado com a devida antecedência em 10 de março de 2025, permitindo que os produtores possam se programar.
Nota do Naturatins enviada no dia 4 de abril de 2024
O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) informa que, desde a publicação da sentença, tem atuado para cumprir integralmente as medidas judiciais determinadas. A partir de agora, todos os usuários serão notificados anualmente, sempre em janeiro, para garantir que seus equipamentos estejam operando corretamente e transmitindo dados ao sistema remoto.
Em outubro de 2024, o Naturatins emitiu 38 autos de infração a usuários que captaram volumes acima do permitido e desrespeitaram as regras de revezamento. As penalidades aplicadas somam aproximadamente R$ 5,7 milhões em multas.
Para 2025, o Naturatins estruturou uma equipe técnica exclusiva para monitoramento do uso da água, elaborou um plano de revezamento em parceria com o Comitê de Bacias e publicou as diretrizes no dia 10 de março, possibilitando que os produtores façam o planejamento antecipado da entressafra. A revisão das outorgas demonstrou que a maioria dos usuários apresenta estudos sólidos, enquanto apenas uma pequena parcela reincide em infrações.
É fundamental destacar que a efetividade completa do plano de revezamento depende da disciplina e do compromisso de todos os usuários no cumprimento das regras estabelecidas.
Por fim, o Naturatins reforça que, em 2025, as ações fiscalizatórias serão ampliadas, com equipes fixas atuando nas regionais da Lagoa da Confusão e de Formoso do Araguaia, garantindo maior controle e preservação dos recursos hídricos.
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